Uma equipe alemã de egiptólogos encontrou a peça em 1912, em destroços do que seria o ateliê do escultor real do faraó Akhenaton. O busto foi levado, junto com outras descobertas, para a Alemanha.

Você sabia que o rosto mais elegante do Egito Antigo não foi feito para ser visto pelo público?
Todo mundo reconhece o rosto; quase ninguém conhece sua história.

Nefertiti, cujo nome significa “A Bela Chegou”, foi a grande esposa real do faraó Akhenaton, conhecido por quebrar modelos no poder e na religião. Criou um culto monoteísta em torno do deus Áton que conferia status divino também à rainha.

Para instaurar a nova religião criaram uma arte oficial diferente, mais naturalista, em contraste com a tradição milenar da arte egípcia. O Busto de Nefertiti que estamos analisando é parte dos trabalhos de disseminação da nova imagem oficial da rainha-deusa.
A múmia e o túmulo de Nefertiti nunca foram encontrados; vestígios associados a seu nome foram destruídos ou ocultados por motivos políticos.
Por isso, considera-se o Busto de Nefertiti uma peça rara. Um destino triste para uma figura tão bela.

Curiosidade: Um genro famoso
A rainha Nefertiti tinha parentesco direto com o faraó mais famoso da história, Tutancâmon, casado com uma de suas seis filhas.
Por que é tão famosa?

Sua fama impactante logo após a descoberta se deve a vários fatores:
- Representava o mistério e a sofisticação egípcia de forma atraente para a cultura ocidental. Sua presença em revistas, livros e filmes a consagrou como ícone.
- Seu valor estético e a elegância de suas formas estavam alinhados com uma das artes decorativas da época, o Art Déco.
- Seu valor de prestígio político tornou-se um “troféu cultural” da Alemanha, disputado pelo Egito.
Ela não nasceu para ser vista, nasceu para ser copiada

A peça foi encontrada nas ruínas da oficina de Tutmés, escultor oficial do faraó Akhenaton. Acredita-se que era um modelo de trabalho, um tipo de protótipo de referência para a produção em série de imagens oficiais para ornamentar templos e edifícios públicos do novo culto.
Curiosidade

A peça original possui apenas um olho com acabamento, incrustado, feito de cristal de quartzo, com detalhes em cera de abelha tingida e uma fina camada de cristal de rocha polido para sugerir a córnea. O outro olho não foi produzido.
Fatos que reforçam sua função
1. Possui acabamento em apenas um olho e não apresenta a serpente na coroa, indicando que a peça não poderia ser usada em exibição pública.
2. Em sua execução foi utilizado um material menos nobre e mais rápido de trabalhar, com base de pedra comum, calcário, superfície coberta com gesso e pintada.
3. Outro indício é sua sobrevivência à destruição deliberada, já que permaneceu entre outras peças quebradas em um ateliê.
4. Não poderia ter função ritual, pois não era de corpo inteiro e o material não é duradouro e resistente.
Quem fez?

A arte do Antigo Egito era um trabalho conjunto, realizado por vários artistas e artesãos. O valor do artista era reconhecido, mas seu trabalho servia para a glória do faraó e do Estado, e não para a fama individual.
Para nossa sorte, o Busto de Nefertiti foi encontrado nas ruínas de uma oficina cujo escultor foi identificado. Por isso, podemos honrar seu nome: Tutmés (Thutmose).

O que podemos aprender com o Busto de Nefertiti?
Conhecer sua origem como ferramenta de trabalho não diminui seu valor, ao contrário, é um documento técnico raro que nos ajuda a entender o processo de trabalho dos artistas da época.
Representar a beleza de Nefertiti não era um fim em si, mas um recurso para estabelecer uma nova ordem religiosa e de poder.
O busto deixou de ser o retrato de uma rainha egípcia para ser uma peça museológica cujo valor simbólico é enorme. É mais um exemplo de apropriação e ressignificação das esculturas famosas.

Para organizar o que vimos
- Nome. Busto de Nefertiti
- Quem realizou a obra. Atribuída ao escultor Tutmés.
- Data. c. 1350 a.C.
- Local original. Ruínas do ateliê do escultor Tutmés, antiga cidade de Amarna, Egito.
- Localização atual. Neues Museum, Berlim.
- Material. Pedra calcária revestida com gesso e policromada.
- Dimensões. 49 cm de altura.
Enfim…
O que mais me impressiona é que um pedaço de gesso pintado, abandonado em um ateliê, tenha virado um ícone de museu de valor incalculável. Um caminho extraordinário percorrido da época dos faraós ao nosso próprio mito da beleza.
Pingback:Estátua de Quéfren: função, poder e religião no Egito Antigo – Laura Nehr Atelie
Pingback:Comece aqui: Lista das 12 esculturas famosas com links – Laura Nehr Atelie