
Ao observar a obra de Gabo, fica claro que a escultura não depende das técnicas tradicionais.
Depende, antes de tudo, das escolhas materiais que fazemos — e de como essas escolhas podem abrir caminhos inesperados dentro do próprio processo.
Para mim, há algo libertador nessa ideia de que o vazio também pode ser estruturado.
A pesquisa dele com plásticos, fios sintéticos e materiais industriais nos mostra que trabalhar com o que temos ao alcance pode gerar soluções expressivas e estruturais muito mais interessantes do que imaginamos.

Alguns pontos que podemos aplicar no nosso trabalho hoje:
Materiais são ideias: cada material sugere um tipo de forma, ritmo e transparência. Escolher bem é iniciar a obra.
Economia de meios: Gabo criava volumes com poucos planos. Às vezes, reduzir é o que libera mais invenção.
Estrutura e espaço caminham juntos: experimentar materiais leves ou translúcidos muda como o espaço participa da escultura.
O ateliê doméstico também é campo de pesquisa: plásticos, arames, papéis rígidos, fios — tudo pode se tornar elemento estrutural.

“Cheguei à conclusão de que uma obra de arte, restrita ao que o artista nela colocou, é apenas uma parte. Ela só atinge sua plenitude com o que as pessoas e o tempo fazem dela. “
Naum Gabo (1890-1977) foi uma das figuras decisivas do Construtivismo, integrando arte, técnica e materiais industriais na escultura moderna.