Definição: Fundição é uma técnica de escultura em que o metal é derretido e vertido em um molde para adquirir uma forma. Após o resfriamento, o metal solidifica e revela a peça final. No caso da cera perdida, esse processo envolve um modelo em cera que é eliminado para dar lugar à liga de bronze.
Neste post, você vai conhecer:
- O que é a técnica de fundição de cera perdida
- Como é feita a fundição em bronze, etapa por etapa
- Quais materiais e ferramentas são usados no processo
- O que a fundição permite na prática escultórica
Qual é a técnica usada para fazer uma escultura em bronze?

As esculturas em bronze são feitas através da técnica de fundição. Diferente da modelagem e do entalhe, é uma etapa técnica intermediária, na qual o artista desenvolve o modelo inicial que serve de base para a reprodução em outro material mais resistente, geralmente o bronze.
Embora existam outras formas de fundição com diferentes metais, a cera perdida em bronze é a mais tradicional, usada há séculos e ainda presente na escultura.
Como é feita a fundição por cera perdida?

A fundição é um processo técnico aplicado a serviço da escultura, realizado por profissionais especializados em um espaço de trabalho específico. Esse local também é chamado de fundição.
Nem sempre o artista participa diretamente de todas as etapas, embora possa acompanhar momentos específicos, como o retoque do modelo em cera ou as fases finais de acabamento e pátina.
Sendo um processo especializado, as orientações e decisões tomadas pelos fundidores são essenciais no resultado final da escultura.
Na escultura tradicional, especialmente no período de Auguste Rodin, quando a fundição em bronze atingiu grande prestígio, algumas esculturas eram assinadas tanto pelo artista quanto pelo fundidor, uma prática que, com o tempo, entrou em desuso.
Etapas no processo de fundição artística por cera perdida

Criação do modelo original.
Cópia do modelo em cera: feita usando um molde flexível (geralmente de silicone) com reforço de fibra de vidro.
Aplicação de canais de cera: canais criados para saída de ar (respiro), escoamento da cera e entrada do metal líquido.
Aplicação de revestimento cerâmico: a peça em cera é recoberta por um material refratário, criando um molde rígido e resistente ao calor.
Etapa do forno: o conjunto vai ao forno para derreter a cera, que escorre para fora (daí o nome “cera perdida”), deixando um vazio interno com o formato da escultura. O metal é derretido em um cadinho no forno de fundição.
Vazamento do metal: o metal fundido em alta temperatura é despejado nesse vazio através dos canais e preenche todos os detalhes.
Acabamento: após o resfriamento, o molde é quebrado para revelar a peça em metal. Os canais são cortados e a peça passa por limpeza, lixamento, polimento e aplicação de pátinas, que depois são seladas com cera.
Materiais mais usados na fundição
Cada material tem uma função específica dentro do processo.
Argila, massa ou cera: usadas na criação do modelo inicial.
Cera: para copiar o modelo.
Gesso, silicone e fibra de vidro: usados na criação dos moldes intermediários.
Bronze: liga metálica (cobre e estanho) que constitui o material final da escultura.
Algumas ferramentas utilizadas nas diferentes etapas da fundição
Diferente de outras técnicas, aqui o trabalho se divide em fases bem distintas.
Ferramentas de modelagem, como estecas, para criar o modelo inicial.
Ferramentas para montagem dos moldes.
Equipamentos de fundição, como fornos para aquecer a cera e recipientes para derreter e vazar o metal (crisol ou cadinho).
Ferramentas de acabamento, como maçarico, retífica e esmeril, usadas no polimento e aplicação de pátinas.
Para organizar o que vimos
| Característica | Fundição em bronze |
| Indireta | O artista não toca no material final (metal, resina) |
| Reprodutível | Um único molde pode gerar várias cópias. |
| Precisão | Os detalhes do modelo original são preservados com alta fidelidade. |
| Espaço terceirizado | Exige equipamentos e cuidados que vão além do ateliê comum. |
O diferencial da fundição: o que ela permite na escultura?
A fundição amplia as possibilidades da escultura. Transforma um modelo em um material mais durável e permite reproduzir a mesma escultura mais de uma vez. Também preserva com precisão os detalhes do original.
Isso faz com que a técnica seja muito usada tanto em esculturas únicas quanto em edições.
Exemplos de esculturas feitas por fundição

Monumento à Independência do Brasil (São Paulo): localizado no Parque da Independência, é uma escultura de grandes dimensões que combina bronze e granito.
Ceci, de Rodolfo Bernardelli: um relevo circular feito em bronze.
Figura reclinada, de Henry Moore: exemplo de como a fundição em bronze permite formas orgânicas amplas e superfícies contínuas, explorando vazios e volumes de maneira livre.
Para artistas e escultores: vantagens e desvantagens da fundição em bronze

Você já pensou em ter uma escultura sua reproduzida em bronze? Aqui vão algumas reflexões para considerar.
Apesar de estar presente na escultura moderna e contemporânea, o bronze ainda está relacionado a uma ideia de tradição e refinamento.
A fundição permite transformar seu modelo em um material mais durável, como o bronze ou o alumínio, mantendo os detalhes da escultura original. Também possibilita a reprodução da mesma peça, o que é importante para edições, além de favorecer acabamentos e pátinas valorizados por parte do público e do mercado.
Por outro lado, você depende de estrutura, conhecimento técnico e profissionais especializados de uma fundição. Isso envolve custos mais altos. A peça pode ficar mais pesada, mesmo sendo oca, exigindo um pedestal mais seguro, além de aumentar custos de transporte e embalagem.
Antes de decidir, vale considerar com atenção essas vantagens e desvantagens para entender se a fundição faz sentido para o tipo de escultura que você quer desenvolver.
Se você quiser entender melhor como a fundição impacta seu processo como artista, veja o post completo sobre suas vantagens e desvantagens. [link]
Para conhecer mais
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