Definição: Construção e assemblage são técnicas modernas de escultura. O artista combina objetos, materiais e estruturas já existentes para criar esculturas.
Neste post, você vai conhecer:
- Principais técnicas e materiais usados
- Quando surgiram a construção e assemblage
- O diferencial de usar essas técnicas na escultura
Características da construção e assemblage na escultura

É um tipo de “colagem” tridimensional em que o artista agrega diferentes materiais como madeira, ferro, plásticos e acrílicos. Também pode incorporar objetos industrializados e fragmentos de outros materiais.
As junções e as características individuais de cada componente podem permanecer visíveis, tornando-se parte da estética da escultura. Os artistas precisaram desenvolver outras técnicas, além da modelagem e do entalhe, para incorporar esse tipo de material, que era inédito para a época.
Essa abordagem surge no começo do século 20, quando os artistas modernos passam a explorar novas formas de arte, rompendo com os conceitos tradicionais e acadêmicos.
Materiais e elementos usados

A versatilidade é a principal característica dessas técnicas, permitindo o uso de praticamente qualquer objeto.
Na construção, a escultura é criada a partir da montagem de materiais e estruturas existentes, como chapas de madeira ou metal. A assemblage (do francês assemblage, “montagem”) é uma variação desse raciocínio escultórico. Combina e reorganiza objetos prontos.
Construção:
Madeiras: compensados, tábuas, ripas e fragmentos.
Materiais sintéticos: plásticos, acrílicos, resinas e borrachas.
Metais: chapas de ferro, alumínio ou aço, vigas de aço, barras de metal, arames e peças de máquinas.
Assemblage: objetos industrializados, materiais descartados, fragmentos de móveis e itens de decoração.
Ferramentas e recursos usados
Há muitas opções de técnicas, de acordo com o material utilizado e a forma final imaginada pelo artista. As ferramentas aqui são mais de marcenaria, serralheria e bricolagem do que da escultura tradicional.
Algumas ferramentas que podem ser usadas:
Serra tico-tico, serra de arco, furadeira elétrica, máquina de solda.
Outros recursos:
Colas, adesivos, alicates, pistola de cola quente e rebitador.
Para organizar o que vimos
| Tipo | Construção | Assemblage |
|---|---|---|
| Lógica de criação | A forma surge da montagem de partes estruturais | A forma surge da combinação de objetos prontos |
| Foco principal | Organização formal e estrutural | Associação de significados e relações entre objetos |
| Materiais | Chapas, vigas, madeira, metal e materiais industriais | Objetos descartados, sucata e itens do cotidiano |
| Aparência final | Estruturas geométricas, abertas ou lineares | Composições híbridas, muitas vezes narrativas |
| Relação com técnica | Ênfase em corte, dobra, encaixe e solda | Ênfase na escolha e reorganização dos objetos |
Qual é o diferencial da construção e da assemblage para fazer esculturas?

A escolha dos materiais não segue um padrão fixo. Ela faz parte das decisões de cada artista.
Essas técnicas permitem criar formas que não precisam ser arredondadas, volumosas ou compactas como na escultura tradicional. As esculturas ganham arestas angulares com o uso de chapas. Com a solda de varetas e bastões, podem adquirir um aspecto mais linear.
Outro aspecto importante: muitos artistas deixaram de representar a figura humana ou formas reconhecíveis e passaram a criar esculturas abstratas, destacando características planas e lineares dos materiais, como placas de metal ou madeira.
Ao incorporar materiais como vidro, acrílico ou plásticos, algumas esculturas ganham transparência. Muitas deixam de ser formas sólidas, como aquelas feitas na pedra ou bronze, e passam a ser abertas, lineares, luminosas e dinâmicas.
Essas experiências ampliaram o entendimento do que pode ser considerado escultura a partir do século 20.
Exemplos de esculturas feitas por construção e assemblage

Móbile, de Alexander Calder: escultura móvel em metal, madeira, arame e corda.
Sem título, de Amílcar de Castro: chapas metálicas de aço corten com formas geométricas definidas, feitas com técnica de corte e dobra.
Os Bichos, de Lygia Clark: série de chapas de alumínio articuladas por dobradiças, feita pela técnica de construção e montagem.
Vorwarts! (Go Forward!), de Jeff Wassmann: objetos arranjados pela técnica de assemblage.
Jardim de Chuva Zag II, de Louise Nevelson: composta por fragmentos de madeira e restos de marcenaria, pintados com cor uniforme.

Para artistas e escultores: Como a construção e assemblage podem ajudar a criar?
Essa técnica amplia bastante suas possibilidades de criação na escultura. Você pode combinar materiais diferentes e incorporar objetos ao seu processo escultórico, que passam a fazer parte da sua narrativa.
No aspecto da forma, pode explorar relações de equilíbrio e tensão sem precisar representá-las por meio de corpos humanos.
Também pode pensar a escultura como uma forma aberta, leve e até transparente, superando a ideia tradicional de massa compacta e sólida.
A escultura deixa de ser apenas uma forma fechada em si mesma e passa a ser a organização de elementos no espaço.
Para conhecer mais
Essas técnicas mostram que a escultura não depende de um único material ou de um único método.
No próximo post, vamos explorar a fundição artística: como funciona o processo de cera perdida e por que tantos escultores escolheram essa técnica para eternizar suas ideias.