Como pessoas comuns realizaram uma obra tão gigantesca em argila?
Neste post você vai entender:
- 1. A logística de produção das peças
- 2. O tamanho superlativo da obra
- 3. Para que foi feita

O essencial para conhecer a obra
É uma das descobertas arqueológicas mais importantes do século 20. Encontrada por acaso em 1974, havia mais de 8.000 soldados, alguns carregando armas verdadeiras e representados segundo suas funções militares (arqueiros, lanceiros, generais etc.).
Também encontraram-se acrobatas, músicos, funcionários civis e cavalos, além de uma carruagem e aves aquáticas em bronze; a representação completa de uma corte imperial.
Encontraram mais de 40.000 armas, incluindo espadas, lanças, dardos e flechas nunca usadas em batalhas, produzidas especialmente para o Exército de Terracota.
Curiosidade
O sítio arqueológico ainda não foi totalmente escavado. O túmulo do corpo do imperador permanece fechado até hoje.


Por que encomendar 8 mil soldados de argila que ninguém veria?
O Imperador Qin Shi Huang, que viveu em torno de 200 a.C., criou o Exército de Terracota para garantir seu império na eternidade. A construção começou quando ele tinha 13 anos e levou cerca de 38 anos para ser concluída.
A construção seguia a crença pela qual os governantes iniciavam os túmulos assim que ascendiam ao trono e eram sepultados com alguns elementos que davam continuidade a seu poder.
No entanto, a decisão de Qin Shi Huang foi inédita. Como primeiro imperador da China unificada, seu governo se caracterizava pelo controle e padronização (unificou pesos, medidas, escrita) e replicou esse padrão ao construir um palácio completo para o além.
Outros motivos foram sua conhecida obsessão pessoal pela imortalidade, o temor pela morte e a busca pelo “elixir da vida eterna“. Sabe-se que enviava expedições à procura de ilhas com ervas mágicas, consultava alquimistas e consumia pílulas de mercúrio, pois considerava que continham energia vital.
Ironicamente, alguns historiadores sugerem que a causa de sua morte foi o mercúrio.
Curiosidade
Morreu com 49 anos de idade durante uma de suas viagens pelo Império, supostamente enquanto procurava o elixir da imortalidade.

Quem fez o Exército de Terracota?
Cerca de 720.000 trabalhadores teriam atuado no projeto, operários oficiais e artesãos qualificados. Há relatos de que trabalhavam sob severas condições e exigência de sigilo.
Cada figura recebia uma marca com o nome do supervisor ou da oficina responsável, o que sugere um sistema de controle de qualidade e responsabilidade. Isso também indica a participação de artistas ou ateliês para tarefas especiais, como o realismo dos rostos.


Sobre o termo terracota
A técnica que envolve o uso de argila e queima em forno específico é chamada de cerâmica. O produto final recebe diferentes nomes em função do tipo de argila usada ou da queima, assim temos a terracota, a faiança, a porcelana, etc.
O termo terracota é associado a esculturas, relevos, esboços e também descreve elementos decorativos da arquitetura antiga. Já o termo “cerâmica” descreve objetos utilitários esmaltados, como vasos e pratos.

Por que são tão famosos?
O Exército de Terracota é famoso por três motivos principais.
- Escala monumental que revela o poder imperial da época.
- Técnica de produção que testemunha a capacidade organizacional e técnica dos artesãos chineses do século 3 a.C.
- Porque podemos acompanhar em tempo real as pesquisas arqueológicas que estão sendo feitas. Aberto ao público em 2010, o Mausoléu é uma das principais atrações turísticas da China.
Como foram feitos?



Etapas técnicas
- Modelagem: Criação dos corpos ocos e das pernas utilizando argila modelada em rolos ou placas.
- Modelagem das cabeças e braços usando moldes.
- Montagem: Os membros, a cabeça e os detalhes eram depois fixados usando barbotina (argila diluída em água).
- Modelagem de detalhes: Criação manual de características faciais, penteados, armaduras e detalhes das vestimentas. Assim garantiam que cada guerreiro tivesse uma identidade visual distinta.
- Queima: Cozimento das figuras em grandes fornos a baixa temperatura (em torno de 1000°C) para adquirir dureza e resistência. A queima alterava a cor original da argila amarelo avermelhada, deixando-a cinzenta, que é a cor que vemos hoje.
- Pintura: Após o resfriamento, cada figura era pintada com pigmentos minerais vibrantes, mas o pigmento se perdeu com o tempo.
A cor e os detalhes da vestimenta indicavam a patente do guerreiro. Com as cores originais e carregando armas reais, tornariam a cena mais realista e impressionante do que vemos hoje.

Para desmistificar um pouco
É comum comparar a produção dos guerreiros a uma linha de montagem moderna. No entanto, é importante lembrar que na época a China já possuía uma rica tradição de produção cerâmica em larga escala para utensílios e figuras menores.
O uso da roda de oleiro, de moldes e a queima em grandes fornos era uma técnica dominada e a produção de figuras de terracota com fins funerários e rituais já era comum.
Foi justamente essa prática de produção em série que forneceu a base técnica e organizacional para possibilitar o projeto de maior escala dos Guerreiros. A verdadeira inovação foi a logística usada para a produção de uma alta demanda em um prazo relativamente curto, o que revela a inteligência organizacional dos ateliês da época.

Curiosidade
A construção do mausoléu ultrapassou a morte do imperador. A realização da arquitetura subterrânea e a disposição final das estátuas foram concluídas por seu filho e sucessor, Qin Er Shi e outros oficiais.
O que podemos aprender com essa obra?
Além da importância histórica e cultural, aprendemos muito seguindo quatro eixos:
- Como era a organização do trabalho na escultura e a produção em massa da época.
- O exército de terracota remete à construção das pirâmides no Egito e o poder dos faraós; ambas as obras exigiram mobilização de recursos humanos e materiais sem precedentes, demonstrando a capacidade do Estado em servir ao desejo de imortalidade do líder.
- Demonstra as táticas militares e avanços tecnológicos do Império Qin e indica uma compreensão sofisticada da logística de guerra. Oferece também informações sobre hierarquia social; figuras mais altas representavam oficiais, enquanto as mais baixas representavam patentes inferiores.
- Aprendemos sobre as práticas voltadas à imortalidade baseadas nas crenças chinesas da época.

Para organizar o que vimos
Nome. Exército de Terracota de Qin Shi Huang
Artista. Oficinas imperiais da Dinastia Qin
Data. c 210 a.C.
Local. Mausoléu do Primeiro Imperador Qin Shi Huang, Xi’an, China. Escavações arqueológicas abertas à visitação e museu.
Material. Terracota feita à mão em moldes e policromada
Dimensões. Altura média 1,80 m, conjunto de mais de 8.000 figuras.

Enfim
É difícil compreender o esforço gigantesco para criar um Exército de Terracota fictício.
Mas há uma certa magia no fato de que milhões de turistas estão eternizando o desejo do imperador de viver para sempre.