Na escultura antiga, muitas esculturas faziam parte de templos e edifícios, podendo estar embutidas em nichos ou ladeadas por elementos arquitetônicos. Ao longo da história, porém, passaram a ser concebidas de maneira independente e a ficar visíveis de todos os ângulos. Esta classificação considera essa característica.


A classificação se baseia em dois critérios:

  • 1. Sua relação com o espaço: a obra está atrelada a uma parede/superfície (relevo) ou se sustenta por si mesma no espaço (de vulto).
  • 2. Sua visualização: o relevo é feito para ser visto de frente, e a escultura de vulto pode ser observada por vários ângulos.


O que é escultura de vulto?

estátua em bronze sobre um túmulo em um jardim
Estátua O Pensador, no túmulo de Rodin. Bronze. Museu Rodin. [imagem: Wikimedia Commons]

É uma escultura independente que ocupa o espaço de forma autônoma, sem estar presa a um fundo ou parede.
É concebida para ser observada em sua totalidade, permitindo que o observador caminhe a seu redor e a aprecie de todos os ângulos (360 graus).

Escultura da artista surrealista Leonora Carrington, bronze, 2011. México. [imagem: Wikimedia Commons / Mizaelc]

As esculturas de vulto, do latim vultu (aspecto), podem variar em tamanho, desde pequenas estatuetas até estátuas em praças e instalações monumentais.


O que é o relevo na escultura?

vista lateral de um relevo religioso de mármore mostrando o fundo reto
Mostra nível de projeção da figura do fundo plano. Madona com Menino, mármore, c.1500/1510, autor desconhecido, Itália. [imagem: Wikimedia Commons]

O relevo é um tipo de escultura em que as figuras modeladas ou esculpidas permanecem presas a um fundo plano do mesmo material. É concebido pelo escultor para ser visto de frente.

É uma técnica escolhida principalmente por suas possibilidades narrativas. De acordo com sua importância na cena, os personagens podem se projetar mais ou menos do fundo. Detalhes de paisagem ou arquitetura costumam ter menor volume.


O Relevo: Tipos, Características e Exemplos Históricos

Sua classificação se dá pela profundidade com que as figuras se projetam do plano de fundo.

foto aproximada de um relevo em metal dourado com motivo religioso e elementos decorativos ao fundo
Figuras principais em alto relevo e elementos no fundo em baixo-relevo. Lorenzo Ghiberti, Portas do Paraíso, c. 1425. Bronze dourado. Museo dell’Opera del Duomo. [imagem: Wikimedia Commons / sailko]

Alto-relevo: as figuras se projetam de forma acentuada em relação ao fundo, criando profundidade e dramaticidade. Muito usado em monumentos e fachadas históricas, como as cenas do Partenon ou dos púlpitos de Giovanni Pisano.
Em alguns casos, partes do corpo chegam a projetar-se quase totalmente do fundo, que funciona mais como um elemento de ancoragem.

Baixo-relevo: as formas se elevam pouco do fundo, de forma mais sutil. Mais usado em medalhões, painéis e relevos arquitetônicos.

imagem aproximada de um relevo em pedra do deus egípcio thot
Baixo relevo. Deus da sabedoria Thot em um templo em Luxor, Egito. [imagem: Wikimedia Commons / Jon Bodsworth]

Relevo negativo: o volume é esculpido abaixo da superfície do plano. Nenhum volume sobressai; é o típico relevo egípcio arquitetônico.

relevo em mármore da cena de um banquete com várias figuras ao redor de uma mesa e escadarias e parte da construção
Relevo em stiacciato. Donatello, Banquete de Herodes, c. 1435. Mármore. Museu Belas Artes de Lille.[imagem: Wikimedia Commons / Vassil]

Stiacciato (ou achatado): Técnica de baixíssimo relevo, usada para cenas com narrativas mais complexas, que uma escultura de vulto seria incapaz de representar. Consiste em esculpir ou modelar criando camadas de poucos milímetros para produzir uma ilusão de perspectiva e profundidade espacial.
Refinada pelo escultor Donatello durante o Renascimento, é uma técnica próxima da pintura ou do desenho, porque o espaço é representado pela perspectiva. Alguns elementos podem ser apenas riscados na superfície.

relevo em bronze de uma mulher de perfil com os cabelos recolhidos em um coque
O escultor Bernardelli destacou-se pelo uso do relevo em várias obras. Iracema, 1897. Bronze. Pinacoteca de São Paulo. [imagem: Wikimedia Commons / Dornicke]


Para organizar o que vimos

Tipo de relevoCaracterísticaExemplos famosos
Alto relevoFiguras se projetam muito do fundo. Partes do corpo podem se projetar quase inteiramenteFrontão do Partenon
Baixo relevoFiguras se elevam pouco do fundoMedalhões e relevos assírios
Relevo negativoVolume é esculpido abaixo da superfície do planoRelevos em templos egípcios
StiacciatoVolumes em camadas muito finasRelevos do escultor Donatello


Qual é a relação da escultura em relevo com a arquitetura?

relevos de uma batalha da época da independencia do Brasil, com soldados a cavalo e vista do monumento do ipiranga sobre um cécu azulado
Relevos na base do Monumento à Independência representam episódios históricos com vários personagens. Ettore Ximenes, bronze, c. 1920. [imagem: Wikimedia Commons]

A origem e evolução técnica do relevo estão associadas à decoração de superfícies arquitetônicas.
Permite contar feitos históricos ou representar grupos de personagens sem ocupar o espaço físico que uma estátua exigiria, tornando-se ideal para ornamentação de paredes, colunas, fachadas, frisos, portais e templos.

Sheryn Bullis. Relevo em madeira pintada. [imagem: Wikimedia Commons / HelsinkiArtBeat]

Na arte moderna do século 20, os relevos também foram usados em composições abstratas que enfatizavam os contrastes de luz e sombra.


Como a escultura moderna expandiu a relação com o espaço?

As obras dos escultores modernos e contemporâneos ampliaram a relação da escultura com o espaço e com a interação do observador. Deixaram de se restringir à divisão “escultura de vulto ou relevo” e passaram a considerar formas mais abrangentes de ocupar o espaço com as obras.

Apesar disso, a classificação “relevo e de vulto” continua essencial para diferenciar obras que exigem circulação daquelas concebidas para uma visão frontal.

Por isso, podemos considerar também outros tipos de obras:

  • Escultura cinética
    Móbile
    Instalação


O que é escultura cinética?

espaço amplo de um museu com teto de vidro e um mobile vermelho flutuando sobre o espaço vazio
Móbile de Alexander Calder ocupando um amplo espaço no museu. Sem título, 1976. [imagem: Wikimedia Commons / Tony Hisgett]

Obras tridimensionais que incorporam movimento, seja mecânico ou visual, modificando sua relação com o espaço. Os movimentos aleatórios transformam a percepção do espectador a cada instante.
Um dos primeiros tipos de obra a incorporar a ocupação dinâmica do espaço por meio do movimento é o móbile.


O que é um móbile na escultura?

Um dos representantes mais significativos na criação de móbiles é o escultor Alexander Calder.
Ele incorporou o uso de placas metálicas e coloridas, relativamente leves, para criar composições fixadas em um ponto único, permitindo o deslocamento sutil dos elementos.


O que é a arte da instalação?

espaço artístico criado com estruturas translúcidas de cor rosa e pontos pretos
Instalação imersiva da artista Yayoi Kusama, com seus pequenos círculos característicos. [imagem: Wikimedia Commons / Lizzy Shaanan Pikiwiki Israel]

A instalação é uma manifestação artística contemporânea que pode incorporar técnicas mistas, materiais diversos e tecnologias, com o propósito de ocupar um espaço. Também pode usar som, luz e projeções.
Frequentemente de larga escala, a obra é criada para um local específico e para um período temporário.

espaço artístico criado com colunas de tecido translúcido de cor esverdeado
Instalação “Célula nave” de Ernesto Neto, 2004. [imagem: Wikimedia Commons / Gaby]

O ambiente (seja museu, galeria ou espaço público) é parte integrante da obra, não apenas um local de exposição, e o público pode caminhar e interagir com a obra.

O que diferencia a arte da instalação da escultura ou de outras formas de arte tradicionais é que o artista cria para proporcionar uma experiência ao espectador com o conjunto de seus elementos, em vez da apreciação de obras de arte individuais.


Para artistas e escultores: como a escolha de figura independente ou relevo transforma a experiência da obra

duas esculturas de cabeça de mulher em argila sendo feitas em um ateliê
Relevo em argila, processo de modelagem duas versões de mulher Botticelli. [imagem: Laura Nehr Esculturas]

Para quem cria esculturas, decidir entre uma figura independente (360 graus) ou um relevo não é apenas uma questão técnica. É uma decisão expressiva e estética.

Quando você incorpora a noção de espaço pode decidir a maneira que suas obras podem transformar o ambiente. Entender essas diferenças traz ganhos concretos para o seu processo criativo.

Essa consciência espacial ajuda a planejar a estrutura de suporte. Como vimos no post, a escolha entre os tipos de relevo ou de vulto pode mudar completamente o impacto da obra. Quanto mais repertório você tiver sobre a relação da escultura com o espaço, mais liberdade terá para materializar suas ideias.

Tipos de escultura pelo espaço (vulto e relevo)

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