Pensamos nela como o símbolo máximo da América e da liberdade, mas ela nasceu por insistência de um grupo de franceses e foi paga, em sua maior parte, por doações de cidadãos.
Neste post, você vai conhecer:
- A ideia inicial do projeto
- As dificuldades para obter os recursos
- Detalhes do complicado processo de montagem
- Como a sociedade mudou seu significado
O essencial para conhecer a obra
A Estátua da Liberdade não foi construída em Nova York: foi projetada e executada em Paris, enviada em partes e montada como um grande quebra-cabeça que atravessou o Atlântico.
Foi um experimento inédito de escultura em grande escala e envolveu a colaboração entre artistas, engenheiros e artesãos.

Curiosidades
Durante alguns anos, a estátua funcionou como o primeiro farol elétrico dos Estados Unidos, mas foi desativada para essa função por ser ineficaz para a navegação.
A chama da tocha que a estátua levanta sofreu tantas modificações que precisou ser substituída por uma réplica, revestida por lâminas de ouro de 24 quilates. A original está no Museu da Estátua da Liberdade.
Para que foi feita?

Para celebrar as ideias liberais
A ideia nasceu de um círculo de intelectuais e políticos liberais franceses, liderados pelo jurista Édouard de Laboulaye, que propôs um presente da França para celebrar o centenário da independência e a abolição da escravatura nos Estados Unidos.
Era um ato simbólico para o jovem país em ascensão e também para promover a democracia na França, que estava sob o império de Napoleão III.
Para formalizar o projeto e começar a arrecadar fundos sem intervenção do Estado, foi criada a União Franco-Americana. O financiamento da estátua viria de doações populares na França, enquanto os Estados Unidos ficariam responsáveis pela construção do pedestal.
Somou-se ao grupo o escultor Frédéric-Auguste Bartholdi, que compartilhava dos mesmos ideais e tinha condições de concretizar a estátua.
Curiosidades
Aos pés da estátua, pouco visíveis do chão e cobertos em parte pela túnica, há uma corrente quebrada e grilhões, referência à abolição da escravatura.

Antes de imaginar a Estátua da Liberdade em Nova York, Bartholdi tentou instalar no Egito um farol em forma de figura feminina com tocha na mão, uma ideia recusada, mas que acabou servindo de semente para o monumento americano.

O esforço para o projeto acontecer
O financiamento popular era decisivo para a realização do projeto. No início, a arrecadação foi lenta e enfrentou diversas dificuldades.
Na França, os recursos vieram de doações públicas, eventos beneficentes, loterias e da exibição de partes da estátua em feiras e exposições. Cidadãos franceses de diferentes origens, incluindo estudantes e governos municipais, contribuíram para viabilizar a escultura.
Para despertar o interesse do público, Bartholdi apresentava fragmentos da obra, transformando sua construção em uma causa coletiva.
Em julho de 1880, havia dinheiro suficiente para concluir a estátua. Ainda assim, seriam necessários mais seis anos até que ela fosse erguida em Nova York.
Nos Estados Unidos, a arrecadação para o pedestal avançou lentamente, até ganhar impulso com a campanha promovida por Joseph Pulitzer em seu jornal. A iniciativa incentivava pequenas doações e publicava o nome de todos os doadores, independentemente do valor contribuído.

Por que ela é tão famosa?
A força da Estátua da Liberdade está em sua silhueta facilmente reconhecível, uma qualidade essencial em esculturas que se tornaram ícones.
Mas há um ponto fundamental para compreender sua fama: a mudança do contexto histórico, não prevista pelos idealizadores do monumento.
Após sua inauguração, os Estados Unidos passaram a ser a maior economia industrial do mundo e a “terra prometida” para milhões de imigrantes europeus que fugiam da pobreza e da instabilidade.
O porto de Nova York era a principal porta de entrada, e a estátua, a primeira visão após uma longa e difícil travessia, tornou-se um sinal de boas-vindas para uma nova vida. Isso trouxe outro significado para a Estátua da Liberdade, que passou a representar a esperança e o sonho americano.
O resto já conhecemos: visitas turísticas, fotografias, revistas, anúncios, cinema, até se tornar um dos símbolos mais reconhecidos do mundo.
Fiz uma análise onde traço paralelos entre os trabalhos da Estátua da Liberdade e o David de Michelangelo. É o primeiro capítulo de meu guia para entender as esculturas mais famosas. Você pode encontrar na Amazon.

Como foi feita a Estátua da Liberdade?

Acompanhar e criação e remontagem da estátua era um evento marcante. (Foto: Wikimedia Commons)
Um corpo oco de chapas marteladas à mão em um ateliê em Paris
Seria oneroso e pesado demais criar e transportar uma figura desse tamanho em bronze; a solução foi trabalhar com cobre, um material leve, resistente à maresia e capaz de formar grandes superfícies curvas com apenas 2,4 mm de espessura.
A estátua foi feita pela técnica do repuxo (repoussé, em francês), um método manual muito antigo que permite modelar relevos martelando finas chapas de metal sobre formas de madeira.
A cor verde atual da estátua é resultado da oxidação natural do cobre, originalmente de cor marrom-avermelhada, que forma uma camada protetora.

Estrutura interna
A estrutura de ferro e aço que sustenta as placas de cobre foi projetada por Gustave Eiffel. Foi concebida para suportar os ventos do porto e permitir que o revestimento de metal se movesse de maneira independente. Essa solução experimental para a época serviu de base para o desenvolvimento da Torre Eiffel poucos anos depois.
O pedestal, de concreto e granito, apoia-se no antigo forte militar em formato de estrela já existente na ilha.
Curiosidade : Ela se move! A estrutura se move com o vento e pode oscilar até 8 cm

Acompanhe o processo e surpreenda-se
1. Bartholdi começou com um modelo de estudo de 1,20 m. A partir dele, carpinteiros ampliaram moldes de madeira para a escala real.
2. Num processo próximo ao da ourivesaria, durante nove anos, os artesãos das oficinas Monduit e Gaget martelaram as finas chapas de cobre sobre esses moldes, definindo todas as formas da estátua, sua túnica, rosto, coroa, braço e tocha.
3. Depois, as peças foram numeradas e fixadas com rebites à estrutura metálica, como se fossem um enorme quebra-cabeça. A estátua completa foi então desmontada em 350 partes, enviada por navio e remontada no pedestal definitivo.

O que podemos aprender com ela?
1. Nos faz entender que essa escultura monumental foi resultado da insistência do escultor idealizador do projeto, somada ao trabalho conjunto de muitos profissionais.
2. Mostra como soluções formais precisas, uma silhueta clara, gestos contidos e volumes bem organizados podem criar uma imagem de grande impacto visual.
3. E, por fim, ensina que o simbolismo de um monumento pode ser influenciado pela dinâmica da história.
Para organizar o que vimos
Nome. Estátua da Liberdade. A Liberdade Iluminando o Mundo
Quem realizou a obra. Frédéric Auguste Bartholdi, escultor e idealizador. Gustave Eiffel, estrutura interna. Equipes de ferreiros, operários e metalúrgicos
Data. 1876–1886
Localização. Ilha da Liberdade, Nova York
Função e significado. Símbolo de liberdade e valores republicanos. Associado à chegada de imigrantes ao país
Material. Estrutura interna metálica com revestimento em placas de cobre moldadas e rebitadas
Dimensões. Estátua: 46 metros de altura. Com pedestal: 73 metros
Enfim…
Passei a admirar o escultor Bartholdi ao acompanhar seus esforços para realizar a obra. Ele prova que insistir no próprio projeto é fundamental.

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